Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

Nossa crise é uma crise de escolha







“Pare só um segundo”, propõem, e despejam um monte de perguntas que convidam à reflexão. Tens realmente necessidade disso? Poderias emprestar de alguém? Tens algo que o substitua? Quantas horas terás que trabalhar para pagá-lo?













O anticonsumismo já tem uma legião de adeptos na internet

(a repostagem é de Georgina Elustondo e está publicada no jornal argentino Clarín de 15-03-2009)



Os movimentos que lutam contra o consumismo e os grupos que promovem um consumo responsável se multiplicam e encontraram na internet um espaço de “evangelização”. Em geral, são grupos comprometidos com uma distribuição mais eqüitativa dos recursos – muitos deles têm origem religiosa – e questionam o consumo compulsivo e subordinado ao bombardeio de seduções do mercado. Alguns, mais extremistas, até promovem o resgate dos dejetos do lixo.








É o caso dos “freegans” (http://www.freegan.info/ ), que se autodefinem como “pessoas que desenvolvem estratégias alternativas para viver, baseadas no consumo mínimo de recursos”. Propõem até vasculhar o lixo em busca de “restos” que possam ser úteis. “Apesar dos e stereótipos sociais sobre o lixo, os produtos que recolhemos são saudáveis”, afirmam.

Menos radicais são os integrantes do Simply Living (Vida Simples ), um movimento que nasceu em 1973 nos Estados Unidos, convocando as pessoas para arrancar o Natal do embate comercial, e hoje defende um consumo responsável, limitado ao gasto com o que realmente é necessário e descartando frivolidades que nos levem a ter demais.




Outro grupo mais popular é o Movimento Anticonsumo, que surgiu no Canadá e nas regiões mais liberais dos Estados Unidos. O livro Sem Logo [2. ed., Rio de Janeiro: Record, 2002], da Naomi Klein, é quase seu manifesto fundacional. Suas colocações giram em torno da premissa de que as grandes corporações estão roubando o poder legítimo das pessoas e alienando a população com falsas necessidades de consumo.

Nessa linha ideológica se inscreve a Adbusters< /span> https://www.adbusters.org/, uma organização anticonsumista criada em 1989 por Kalle Lasn e Bill Schmalz. Em sua revista, rica em humor e crítica inteligente, busca iluminar os mecanismos através dos quais o mercado impulsiona ao consumo, destacando as suas contradições e mensagens duplas. Além disso, promovem a campanha Buy Nothing Day (Não compre nada hoje), que convida a ficar 24 horas sem comprar nada, para a qual granjeiam cada vez mais adeptos.

Outro conhecido profeta antiglobalização e anticonsumo é o “Reverendo Billy ”, um artista nova-iorquino que se tornou famoso por sua luta contra os abusos do consumismo. Mesmo que não seja religioso, fundou, junto com seus seguidores, a Igreja Pare de Comprar e prometem o ‘shopocalipsis’, o apocalipse das compras. Um sítio muito visitado por pessoas de fala hispânica é http://www.sindinero.org/ que reúne conselhos e recursos para viver gratuita mente, fomentando “estilos de vida menos dependentes do dinheiro”.

Também em espanhol, http://www.ecologistasenaccion.org/ reúne jovens e adultos que aspram a uma mudança social e ideológica em relação à forma como consumimos. E na Argentina, na página http://iconoclasistas.com.ar/ , almas crioulas se somam a essa tendência.

Segunda-feira, Janeiro 18, 2010

O que o Diogo Mainardi sabe sobre o clima?

E hoje, 18/01/2010, o Diogo Mainardi descobriu que ser cético do clima dá IBOPE. E publicou um texto ruim. R-U-I-M. Fato: prestou um deserviço à divulgação de ciências de qualidade, usou entrelinhas para desrespeitar cientistas, principalmente meteorologistas, e, de quebra assumiu que não sabe nada sobre um assunto - o que é uma novidade pra mim pois não é todo dia que se vê um jornalista renomado admitir ignoráncia sobre um tema.


Claro que ele não afirmou: sou ignorante sobre esse tema. Não! Longe disso! Mas, num texto de pouco menos de 3.000 caracteres (incluindo espaços) o jornalista conseguiu juntar apenas 8 coisas que remetem sobre o grande tema "aquecimento global".

O que o Diogo Mainardi sabe sobre o clima? Aqui vai um resumo:
1. "que é um assunto pra lá de aborrecido"
2. "que meteorologistas do mundo inteiro reuniram-se em Copenhague"
3. "que se continuarmos a emitir CO2, a temperatua da Terra aumentará sem parar"
4. "que meteorologistas de O Globo calcularam a temperatua mínima do Rio de Janeiro, ontem chegaria a 22 graus", mas "na realidade, ela foi 20,6 graus" e que, se eles erram de um dia pro outro, que dirá em uma centena de anos?
5. "que o alarme dos meteorologistas sobre aquecimento global se baseia em um gráfico com forma de taco de hóquei"
6. que um meteorologista "analisou doze troncos de pinheiros siberianos" e chegou ao gráfico em forma de taco e que professores do mesmo instituto foram "flagrados manipulando alguns desses dados"
7. "que há mais gelo do que em 2006" na calota polar ártica
8. "que leitores foram amedrontados pela imagem de um urso polar canibal"
9. "que no segundo turno, de acordo com a última pesquisa eleitoral do IBOPE" [...] "Dilma Rousseff continua a derreter".
Trechos entre aspas retirados de: Eu e o urso canibal


Fato que eu poderia ficar aqui tentando desmentir cada uma dessas afirmações - ou nem isso... poderia apenas cobrar referências bibliográficas para cada uma dessas afirmações que não linkam para nada, menos ainda artigos científicos (de cientistas céticos ou não) - com exceção da última, já que eu não costumo me meter em assuntos que eu não domino - mas não vou. Conheço meus leitores e sei que os comentários serão ricos.

Escrevo esse post para parabenizar Diogo Mainardi pela corajosa atitude de assumir que sabe oito coisas sobre "mudanças climáticas".
Eu também sugeriria alguma bibliografia para que se conheça quem são os ganhadores do Prêmio Nobel da Paz de 2007, quem são as pessoas reunidas em Copenhague e para diferenciar meteorologistas de climatologistas - além claro, de uma bibliografia extensa, rica em pesquisas, discordâncias e concordâncias sobre um modelo matemático complexo que levou a um gráfico "com forma de taco de hóquei" porém essas respostas são facilmente encontradas quando se navega em google.com.
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NAQ - Never Asked Questions [ http://neveraskedquestions.blogspot.com/2009/12/diogao-e-o-urso-canibal-passando-recibo.html ]
Brontossauros em meu Jardim [ http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2009/12/sobre_aquele_cara_da_veja.php ]
Flores na Janela [ http://floresnajanela.com/saber-quando-se-calar-e-uma-arte/ ]

Haiti é um laboratório humano. O que o Brasil e a ONU fizeram em seis anos de ocupação no Haiti?

Um grupo de pesquisadores da Unicamp – seis alunos de graduação e uma aluna de mestrado, coordenados pelo professor Omar Ribeiro [...]


13UTC 2010
A noite de ontem foi a coisa mais extraordinária de minha vida. Deitado do lado de fora da casa onde estamos hospedados, ao som das cantorias religiosas que tomaram lugar nas ruas ao redor e banhado por um estrelado e maravilhoso céu caribenho, imagens iam e vinham. No entanto, não escrevo este pequeno texto para alimentar a avidez sádica de um mundo já farto de imagens de sofrimento.

O que presenciamos ontem no Haiti foi muito mais do que um forte terremoto. Foi a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia.

O que o Brasil e a ONU fizeram em seis anos de ocupação no Haiti? As casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo. Alguns desses problemas foram resolvidos com a presença de milhares de militares de todo mundo?

A ONU gasta meio bilhão de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Ontem pela manhã estivemos no BRABATT, o principal Batalhão Brasileiro da Minustah. Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, Coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país.

Hoje, dia 13 de janeiro, o povo haitiano está se perguntando mais do que nunca: onde está a Minustah quando precisamos dela?

Posso responder a esta pergunta: a Minustah está removendo os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros.

Longe de mim ser contra qualquer medida nesse sentido, mesmo porque, por sermos estrangeiros e brancos, também poderíamos necessitar de qualquer apoio que pudesse vir da Minustah.

A realidade, no entanto, já nos mostra o desfecho dessa tragédia – o povo haitiano será o último a ser atendido, e se possível. O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados.

A polícia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel – resguardar supermercados destruídos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade.

Me incomoda a ânsia por tragédias da mídia brasileira e internacional. Acho louvável a postura de nossa fotógrafa de não sair às ruas de Porto Príncipe para fotografar coisas destruídas e pessoas mortas. Acredito que nenhum de nós gostaria de compartilhar, um pouco que seja, o que passamos ontem.

Infelizmente precisamos de mais uma calamidade para notarmos a existência do Haiti. Para nós, que estamos aqui, a ligação com esse povo e esse país será agora ainda mais difícil de ser quebrada.

Espero que todos os que estão acompanhando o desenrolar desta tragédia também se atentem, antes tarde do que nunca, para este pequeno povo nesta pequena metade de ilha que deu a luz a uma criatividade, uma vontade de viver e uma luta tão invejáveis.

Otávio Calegari Jorge



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Quantas empresas e organizações internacionais não ganham muito no Haiti? Quantos dólares a mais elas não ganham ao trabalharem nas “zonas vermelhas” da cidade, consideradas assim pela ONU (mesmo quando são, no quesito violência, lugares comparáveis à diversas regiões do Brasil)? Tal lógica também esta presente em diversas outras “missões de paz”, em ajudas “humanitárias” pós-catástrofes, em políticas econômicas de países ricos em relação à países pobres e em desenvolvimento.

Os EUA estão mandando mais de 5 mil marines (dizem até 10 mil), obviamente muitos deles armados, dizendo que a reconstrução que buscam é a longo prazo… Também já têm o aeroporto em seu controle. Por que não priorizar 5 mil médicos, ou 5 mil litros de diesel, ou 5 mil quilos a mais de comida? Ou então 5 bi de dólares pra pagar uma fração do prejuízo que o fracasso do neoliberalismo, liderado pelos EUA, causou ao Haiti? Ou até para compensar o protecionismo de países desenvolvidos em relação a quem, economicamente, já está de guarda abaixada faz tempo?




18 18UTC Janeiro 18UTC 2010
E politicamente, o que acontecerá ao Haiti?
Pode parecer preocupação inútil pensar isso agora, mas não é… O Palácio e outros órgaos do Governo caíram. Não se têm mais todos os funcionários, os prédios, os equipamentos. O Senado veio abaixo justamente quando estava cheio. Um intelectual haitiano nos disse que tudo do Estado foi destruído e a burguesia (que sabemos, em geral, está por trás dos Estados) também foi.

As Forças Armadas e a Polícia do país não desapareceram “em meio ao caos provocado pelo terremoto”, como disse um repórter digital… As Forças Armadas não sumiram, foram desmanchadas no começo da década de 90, após decisão do presidente na época, Aristide. E a Polícia local é a única força armada que vimos nas ruas nos primeiros dias após o desastre.

As forças que a princípio sumiram aos olhos da população são as estrangeiras, que ocupam o país. Nesse sábado, andando de carro em vias relativamente livres, foi surpreendente ver dezenas de veículos da ONU parados no quartel do Brasil. Será que depois virá a comunidade internacional, resgatar o último sobrevivente, aparecer na mídia e dizer de boca cheia que ajudou o povo haitiano?

O que me assustou não é bem um “despreparo” da Minustah, como disseram por aí, mas a impressão de que há, ou houve, um desfoco, uma falta de prioridade. Os EUA estão há menos de 2h daqui, mas, pelo que vimos, demorou 4 dias para a ONU começar a lançar comida de helicópteros, o que obviamente reflete na afobação parcial da população para receber comida.

Parece que está se constatando publicamente o fracasso da Minustah (que está há 6 anos nesse Haiti) pois, realmente podemos ter dúvida do que ela deixou a esse povo: incentivo à bases, como agricultura e escolas, para o próprio país se reerguer, não foi…E agora, nessa hora emergencial, também tivemos dúvida da presença efetiva dela. Parece-me que a Minustah foi para o Haiti não apenas para oferecer comida, seguranca, etc, mas para inserir no país numa lógica que não essencialmente é a da ajuda, da prevenção e da estabilização. Tudo isso são apenas dúvidas que me farão reparar bem na intensificação do controle social que vai se instaurar e num número alto de mortos que pode existir mesmo depois do Haiti se recuperar. Hoje alguma autoridade já decretou que haverá toque de recolher, às 18h, como se fome tivesse horário pra vir e como se várias pessoas já não estivessem morando na rua.

Para além da ajuda, parece-me que se instaura muito mais fortemente uma lógica do capitalismo internacional, que aliás, é desigual e instável por si só.



Às vezes, penso que tantos mil soldados só podem vir pra cá para caçar, quem sabe grupos locais (os quais, onde não há presença do Estado, são naturalmente o poder existente). Pra quem quiser ajudar o Haiti, será que exise algo mais importante com que se gastar esses recursos do que investir na soberania alimentar, no combate à sede, à falta de moradia, etc, as quais já afetavam a esmagadora maioria da população antes do desastre? Desastre natural, aliás, que se agrava, na verdade, por conta de um desastre precedente, o social.

Num momento em que minha experiência no Haiti me mostrou que a natureza de muitas ocupações, “ajudas” e relações internacinais não me agradam, não posso estar otimista com o futuro politico do Haiti, apesar de acreditar muito no povo haitiano. Fico ainda mais preocupado sabendo que quem esta liderando tal movimentação é obviamente os EUA, o qual nas últimas décadas foi uma das “potências” que pressionaram infinitos países e exerceram muito dessa forma, eu diria, autoritária e doentia de se relacionar com o outro. Como disse Omar, qualquer valor monetário dado agora ao Haiti “humanitariamente” é pouco, e é, na verdade, o pagamento mínimo de uma dívida, que, ainda por cima, estão pagando de forma errada. E o Brasil parece não ter aprendido a lição que sofreu na própria pele: hoje é um dos protagonistas da intensifcação desses princípios perversos e que geram desigualdade no Haiti. Aliás, já anunciou que ficará por aqui mais 5 anos.

Apoio-me nas palavras de um dominicano, que comentou algo como: “Disseram que o terremoto foi um castigo para o povo haitiano. Foi, na verdade, um castigo para aqueles que passaram séculos tratando-os com indiferença”. Pior, por mais que muitos haitianos gostem ainda hoje do Brasil (até porque quando qualquer um dá um prato de comida a alguém faminto não é muito dificil ganhar o mínimo da simpatia deste) não posso dizer que nós, brasileiros, não somos parte dessa patota de pessoas que devem ser responsabilizadas pelo que acontece no Haiti.

Werner Garbers

FONTE: Blog dos pesquisadores brasileiros da Unicamp
http://lacitadelle.wordpress.com/

interessante (?)
É vergonhoso o desprezo que o cônsul do Haiti tem pelo seu país
http://www.youtube.com/watch?v=aS0hkXkNKfs

Haiti concede controle do aeroporto de Porto Príncipe aos EUA ...

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,haiti-concede-controle-do-aeroporto-de-porto-principe-aos-eua,496487,0.htm

FAB: 5 aviões aguardam permissão para pousar no Haiti - Levaram 24horas para conseguir permissão para pouso, dos EUA.

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4208472-EI14687,00-FAB+avioes+aguardam+permissao+para+pousar+no+Haiti.html


Até a 'sonsa' da Sandy teve inteligência para enxergar a manobra: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u679573.shtml

Terça-feira, Janeiro 12, 2010

Novidades do Ánima



[http://www.anima.org.ar/novidades/index.html]

Direitos animais: O enfoque abolicionista. Ana María Aboglio.
Tradução: Lucas Laitano Valente
11-5- 2009

Utilitarismo e bem-estarismo Esclarecimentos para aprofundar a compreensão das diferenças substanciais com relação à Teoria dos Direitos Animais. Por Ana María Aboglio. Tradução: Regina Rheda 9-11-08

As versões em espanhol e em português do folheto já estão disponíveis. G. Francione [Tradução: R. Rheda] 1-8-08

Seiva e sangue: “matéria combustível” e “matéria iluminada” Ana María Aboglio [Tradução: R. Rheda] Fevereiro de 2008

Violência episódica e violência estrutural: Biopolíticas para o animal de companhia Ana María Aboglio [Tradução: R. Rheda] Enero 2008

Visita ao matadouro Sergio Greif Julho de 2007
A questão da utilização científica de animais e a formação dos comitês de ética Sergio Greif Julho de 2007

Técnicas de apropriação discursiva Ana María Aboglio [Tradução: R. Rheda] Junho de 2007

Os assassinos dos dias de festa Ana María Aboglio [Tradução: R. Rheda] Junho de 2007


Revista Brasileira de Direito Animal

Esta revista jurídica possui um caráter interdisciplinar e conta com a contribuição de renomados cientistas nacionais e internacionais, como o filósofo Tom Regan, o jurista David Favre, a filósofa Sônia Felipe, a jurista Edna Cardoso Dias, o promotor Laerte Levai, dentre outros.

www.abolicionismoanimal.org.br



REGRAS PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS NA
REVISTA BRASILEIRA DE DIREITO ANIMAL


1. O trabalho encaminhado para publicação na Revista Brasileira de Direito Animal deverá ser inédito. Uma vez publicado, considera-se licenciado para aos coordenadores da Revista, podendo tão somente ser publicado em outros lugares, após autorização prévia e expressa do Conselho Editorial da Revista, citada a publicação original como fonte.

2. O trabalho pode ser enviado pelo correio eletrônico, para o endereço: animallegal@yahoo.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email (no "Assunto", fazer referência à Revista), ou por via postal, em arquivo gravado em CD, obrigatoriamente acompanhado de via impressa para o InstituTo Abolicionista Animal, Rua Professor João Mendonça, 52, Loteamento Jardim Atlântida – Ondina; Salvador/Bahia em atenção ao Conselho Editorial da RBDA.

3. O trabalho deverá ter no máximo 25 laudas, sendo este limite superado apenas em casos excepcionais. Como fonte, usar o Times New Roman, corpo 12. Os parágrafos devem ter entrelinha 1,5; as margens superior e inferior 2,0 cm e as laterais 3,0 cm. O tamanho do papel deve ser A4.

4. O trabalho deverá ser precedido por uma folha na qual constarão: o título do trabalho, o nome e qualificação do autor (ou autores), endereço para correspondência, telefone, fax e e-mail, e autorização de publicação.

5. As referências bibliográficas deverão ser feitas de acordo com a NBR 6023/2000 (Norma Brasileira da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT): sobrenome do autor em letras maiúsculas; vírgula; nome do autor em letras minúsculas; ponto; título da obra em itálico; ponto; número da edição (a partir da segunda); ponto; local; dois pontos; editora (não usar a palavra editora); vírgula; ano da publicação; ponto.

6. Os trabalhos deverão ser precedidos por um breve Resumo (10 linhas no máximo) em português e em outra língua estrangeira (inglês, francês, alemão, italiano ou espanhol), e de um Sumário.

7. Deverão ser destacadas as palavras-chave (em português e em outra língua estrangeira).

8. Todo destaque que se queira dar ao texto impresso deve ser feito com o uso de itálico. Citações de textos de outros autores deverão ser feitas entre aspas, sem o uso de itálico.

9. Como contrapartida pela licença de publicação dos trabalhos na Revista, o colaborador receberá 01 (um) exemplar do periódico em cujo número seu trabalho tenha sido publicado, não sendo prestada remuneração autoral.

10. Os trabalhos para publicação serão selecionados pelos Conselhos da Revista. Aqueles que não se ativerem a estas normas serão devolvidos a seus autores, que poderão reenviá-los, desde que efetuadas as modificações necessárias.

11. Os trabalhos apresentados devem estar relacionados à temática dos Direitos dos Animais, sendo necessária a referência ao grupo de pesquisa de que fazem parte na nota de rodapé, logo no início do texto.



A Revista Brasileira de Direito Animal é a primeira revista relacionada com o atual debate sobre o Direito Animal na América Latina, coordenada pelos Promotores de Justiça de meio ambiente do Ministério Público do Estado da Bahia, Heron Santana Gordilho e Luciano Rocha Santana, fundada em 2006 e com a periodicidade semestral.

Esta revista jurídica possui um caráter interdisciplinar e conta com a contribuição de renomados cientistas nacionais e internacionais, como o filósofo Tom Regan, o jurista David Favre, a filósofa Sônia Felipe, a jurista Edna Cardoso Dias, o promotor Laerte Levai, dentre outros.

Atualmente publicada pela Editora Evolução em parceria com o Instituto Abolicionista Animal e o Programa de Pós-graduação em Direito da UFBA com o grupo de pesquisa em Direito Animal do Mestrado e Doutorado da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia.

Este periódico é dividido em uma seção doutrinária que contém artigos nacionais e internacionais sobre os mais distintos pontos da Ética Aplicada aos Animais e ao Direito Animal, em uma seção de documentos forenses, em uma seção de divulgação de livros sobre o direito animal e uma última seção ensaística-literária que agrupa ensaios, poemas e outros textos.

A segunda edição conta com a participação de autores renomados como: Daniel Lourenço, Sônia Felipe, Edna Cardozo Dias, Carmen Velayos e Samuel Vida.

Sua Santidade o Dalai Lama e Jim Windwalker apóiam a causa animal

"Hoje, em conjunto com um crescente apreço pela importância dos direitos humanos, há uma maior consciência em todo o mundo da necessidade de proteger não apenas o ambiente, mas também os animais e os seus direitos. Infelizmente, continuam a existir aqueles que sentem ser não apenas aceitável, mas também um prazer, caçar ou lutar com animais, resultando nas suas mortes dolorosas. Isto parece contradizer o geral espírito igualitário que hoje cresce na maioria das sociedades.


Creio profundamente que os seres humanos são fundamentalmente amáveis por natureza e sinto que devemos não apenas manter relações gentis e pacíficas com os nossos companheiros seres humanos, mas ser também muito importante estender o mesmo tipo de atitude ao meio ambiente e aos animais que vivem naturalmente em harmonia com ele. Quando era um rapaz que estudava o Budismo no Tibete, foi-me ensinada a importância de uma atitude carinhosa para com os outros. Uma tal prática de não-violência aplica-se a todos os seres sensíveis - toda a criatura viva que tem uma mente. Onde existe uma mente, existem sentimentos como dor, prazer e alegria. Nenhum ser sensível deseja a dor, em vez disso todos desejam a felicidade. Visto que todos partilhamos estes sentimentos nalgum nível fundamental, nós, como seres humanos racionais, temos uma obrigação de contribuir, de todos os modos que pudermos, para a felicidade das outras espécies e dar o nosso melhor para aliviar os seus medos e sofrimentos"

Sua Santidade o Dalai Lama - 22 de Junho de 2009, declaração feira ao Portal do PPA de Portugal.



Jim Windwalker, um nativo americano, que há mais de 30 anos é ativista pelos direitos cívicos dos nativos americanos (First Nations People) e dos Animais, uma vez que ele considera que tudo está conexo.

Jim é o Fundador da First Nations Outreach Project e Director do Wolf Gardens Wildlife Center. Escreveu-nos as seguintes palavras no Mural do recém fundado PPA de Portugal:

"It is amazing to see that the movement to protect animals is world wide. I believe that with this kind of effort success will be the result.

In America we are fortunate to have the freedom to speak as we want to, in some countries it is not so easy and in some countries people even put their lives on the line to do so. Creating a Political Party based on conservation of the environment and animals that live on the earth with us could have the greatest effect of all. I look forward to seeing your success with this Party.

Perhaps many others will be able to follow your example and do the same in their countries.
Aho!"

Aho, Jim!

Tradução: (do site do PPA)

"É fantástico ver que o movimento de protecção aos animais está espalhado por todo o mundo. Acredito que com este tipo de esforços o sucesso será o resultado.

Na América temos a sorte de ter a liberdade para dizer o que quisermos, mas em alguns países não é tão fácil e em alguns países as pessoas chegam a colocar a vida em risco para fazê-lo. Criar um Partido Político baseado na conservação do ambiente e dos animais que vivem conosco na terra poderá ter o melhor efeito de todos. Estou ansioso por assistir ao vosso sucesso com este Partido.

Talvez muitos outros possam seguir o vosso exemplo e fazer o mesmo nos seus países.
Aho!" [http://www.myspace.com/jimwindwalker]

Oração pela Libertação Animal

Não posso deixar de chorar... estou tão cansada de ver tanto horror, a violência...
tanto ódio e ignorância, a indiferença...
Embora compreenda as leis espirituais, eu sinto a dor no coração desses seres. Eu não sou uma pessoa violenta, podemos sentar-nos atrás de computadores, mas temos de agir, você poderia se imaginar sentado(a) de frente para o terror sozinho e sentir uma dor horrível, ninguém vindo para te salvar do seu tormento? Isto mata-me por dentro. Eu oro por misericórdia para os humanos e animais, eles não têm idéia de como será terrível o castigo kármico para essas torturas... Se eu tivesse um exército que eu estaria agora pedindo-lhes para parar, por favor.



http://www.youtube.com/watch?v=N1FFVSN2NIc




ORAÇÃO BUDISTA PARA A LIBERTAÇÃO ANIMAL.

União Budista Portuguesa pela Libertação Animal
http://www.uniaobudista.pt/actividades.php?show=budismo&activ=121

"De todas as mortes, as mais dolorosas são as daqueles seres que são cozidos vivos, e dos que têm sua pele arrancadas vivos, devido ao tempo da cozedura ou arranque de sua pele, em função da dor e da sua diferente percepção do tempo resultar para eles muito dilatado."




ORAÇÃO DOS ANIMAIS

Jesus que baixastes à Terra e Vos fizestes homem para que melhor Vos compreendêssemos, que ficastes na Eucaristia para nunca mais nos abandonar !

Jesus cuja doutrina foi amar primeiro a Deus e logo depois ao próximo.

Não seria o cavalo que me leva e me traz do trabalho, meu próximo? Não seria meu próximo o cachorro que protege os meus bens da ambição alheia e caminha comigo contente?

Se é assim, eu que amo tanto os animais e os considero irmãos meus, venho pedir-Vos Senhor Jesus, que depositeis em cada coração humano uma gota a mais de amor pelos animais indefesos, que tanto amam os homens e que são tão pouco amados por estes.

Dai-lhes um coração amoroso para amar estas criaturas, mente aberta para compreendê-los e mãos para acariciá-los, pois se o Homem é o Rei da Criação, deve fazer seus súditos felizes ! (Isabel Calla, 14 anos, Sevilha, Espanha)



OS ANIMAIS À LUZ DA 3ª REVELAÇÃO

"Os animais são os irmãos menores dos homens. Eles também, como nós, vêm de longe através de lutas incessantes e redentoras, e são, como nós, candidatos a uma posição brilhante na espiritualidade. Não é em vão que sofrem nas fainas benditas da dedicação e da renúncia, e a favor do progresso dos homens".





"Estes seres que são nossos irmãos menores e necessitados, do planeta, não nos encaram como superiores, generosos e inteligentes, mas como verdugos cruéis. Confiam na tempestade furiosa que perturba as forças da natureza, mas fogem, desesperados, à aproximação do homem de qualquer condição, excetuando-se os animais domésticos que, por confiarem em nossas palavras e atitudes, aceitam o cutelo no matadouro, quase sempre com lágrimas de aflição, incapazes de discernir, com o raciocínio embrionário, onde começa a nossa perversidade e onde termina a nossa compreensão".

Emmanuel
médium Francisco Cândido Xavier

(Copiado do impresso do Grupo de Trabalho Ramati e publicado pela SOZED para distribuição gratuita)





PRECE DO CÃO ABANDONADO

Sabe, Pai, ainda não entendi. Viemos à praça, pensei ser um passeio. Estranhei, pois ele não tinha esse hábito, mas fui feliz.

Lá chegando, me deu as costas, entrou no carro e nem disse adeus. Olhei para os lados, nem sabia o que fazer. Ainda tentei segui-lo, mas o carro era muito rápido...

Vaguei assustado pelas redondezas... Às vezes parava no mesmo lugar, sempre com a esperança de que meu dono voltasse para me buscar. Muitos dias se passaram e as noites pareciam não terminar. Custei muito a acreditar que ele realmente tinha ali me deixado.

Que teria eu feito de tão mal, para desprezar assim o amor de um animal?

À noite, quando ele chegava, abanava o rabo, feliz, mesmo que ele nunca viesse ao quintal me ver.

Às vezes eu latia, mas tinha pessoas estranhas no portão, não podia deixá-las entrar sem avisar meu dono. Quem sabe foi minha dona que mandou, devia estar lhe dando trabalho...

Como sinto saudades das crianças! Elas me adoravam! Puxavam-me a cauda, às vezes. Eu ficava uma fera, mas logo éramos amigos novamente. Devem ter dito que fugi, provavelmente em busca de uma aventura e não soube voltar. Imagino que tenham chorado, pois realmente me amavam, como eu ainda as amo.

Hoje só bebo água suja. Estou magro e faminto. Meus pêlos já caíram quase todos e ainda fui atropelado por não saber andar nas ruas.

Não sei se por sorte ou por azar eu ainda pude andar. Sabe, Pai, faz muito frio à noite, no canto de chão molhado que arrumei para ficar.

Creio que ainda hoje vou me encontrar Contigo. Peço-vos, então, não mais por mim, mas pelos meus irmãozinhos, pois sei que aí no céu a maldade dos Homens não vai mais me alcançar:

Mande-lhes pessoas que tenham deles compaixão pois, como eu, sozinhos e abandonados não mais viverão.

Amenize-lhes o frio, igual ao que agora sinto, com o calor dos atos de pessoas abençoadas.

Diminui-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Mata-lhes a sede de todos os momentos, com água pura de Teus ensinamentos transmitidos ao Homem.

Alivia-lhes a dor das doenças, afastando a ignorância da Terra que vem da ignorância dos Homens.

Ampara as cachorrinhas prenhas que verão suas crias morrerem de fome, frio e pestes, sem nada poderem fazer.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos apregoados como religiosos, em laboratórios e tudo o mais, tirando das mãos humanas o desprezo ao que por Ti foi também criado.

Abranda a tristeza dos que, como eu, foram também abandonados, pois entre todos os males foi esse o que mais me doeu...

Recebe então, Pai, nesta noite gélida, a minha Alma, pois não será mais meu o sofrimento, mas dos que ficarem, e por eles vos peço.

(Autor desconhecido)


ORAÇÃO DO CÃO

Senhor de todas as criaturas, fazei que o homem,
meu dono, seja fiel aos outros homens, como eu próprio lhe sou fiel.

Fazei-o afeiçoado à minha família e aos amigos,
como eu próprio lhe sou afeiçoado.


Fazei que ele guarde honestamente os bens que tu lhe confias,
como eu, honestamente, guardo os que ele me confia.

Dai-lhe Senhor, um sorriso fácil e expontâneo,
como fácil e expontâneo é o mover da minha cauda.

Fazei-o tão pronto à gratidão,
como eu, sempre tão pronto, lhe lambo as mãos.

Dai-lhe uma paciência igual à minha, que lhe aguardo sem queixume.

Que ele tenha a minha coragem, e a minha prontidão no sacrifício,
desde a comodidade à própria vida.

Conserva-lhe a juventude do meu coração, e a alegria do meu conhecer.

Por fim, ó Senhor de todas as criaturas,
fazei-o sempre tão verdadeiramente homem,
como eu sempre, tão verdadeiramente, sou cão.
(Autor desconhecido)



DECLARAÇÕES DO PAPA PIO XII

Em 1950, Sua Santidade, Pio XII, manifestou a uma delegação de protetores de animais, o seguinte:

"O mundo animal, como toda Criação, é uma manifestação do poder de Deus, de Sua Sabedoria e de Sua Bondade e como tal merece o respeito e consideração do homem. Todo o desejo de matar animais, sem motivo justificável, toda a dureza inútil assim como toda crueldade ignóbil contra eles, devem ser condenados. Além do mais, esta conduta exerce uma nefanda influência sobre a sensibilidade normal da alma humana e provoca unicamente a brutalidade no ser humano."
(Colaboração da "Sociedade Zoófila Educativa" - SOZED. Distribuição gratuita)

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Seria cômico, se no fosse trágico

no blogue do Favre. Confiram.

http://blogdofavre.ig.com.br/

08/12/2009 -

Obras contra enchentes dão resultado, diz Kassab (pois é, a gente sentiu hoje isso na pele)
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Apesar de caos, prefeito defendeu gestão contra enchentes; e rodízio será mantido
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Chuvas já deixaram mortos em São Paulo
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‘Resultados de investimentos já aparecem’, diz Kassab
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Excesso de chuva causou transbordamento do Rio Tietê e impediu o trânsito em várias vias de SP
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Kassab gastará 5 vezes mais com publicidade do que com área de risco
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Prefeitura não tem plano contra enchentes
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SP gasta só 10% do previsto em área de risco
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Investimento de Kassab em piscinões não chega a 8%. Área alagada terá IPTU maior de até 112%
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Gestão Kassab não utiliza verba do BID para piscinões
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Kassab gastou no ano só 7% da verba para piscinões

Em qual cidade você quer viver?


Com um atraso de meio século, o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo insistem em fazer o que a Divisão de Rodovias da Califórnia tentou fazer com São Francisco: estimular o transporte individual motorizado, aumentar as distâncias urbanas, espalhar a cidade, agravar as condições ambientais e de mobilidade.

Em São Francisco, o longo processo de pressão, participação e revolta foi responsável pela preservação de uma das mais belas cidades do mundo. E São Paulo? Vai continuar cavando seu túmulo motorizado e individual, enterrando qualquer possibilidade de um dia vivermos em uma cidade minimamente democrática, agradável e equilibrada?

Qualquer diferença entre São Francisco e São Paulo não é mera coincidência.



O texto acima é uma tradução do artigo de Chris Carlsson [ http://www.nowtopians.com/ ], publicado originalmente no FoundSF [ http://foundsf.org/index.php?title=The_Freeway_Revolt ](de onde vem as fotos ), um projeto riquíssimo de memória da cidade mais bonita da Califórnia. A “revolta das freeways” barrou, ao longo de décadas, a insanidade do rodoviarismo estadunidense, que ganhou fôlego a partir da década de 1950.

(créditos de Apocalipse Motorizado)

Terça-feira, Setembro 29, 2009

Agora tem “cercadinho” para gado, ops, para gente no metrô.

O objetivo é ajudar a Globo a captar uma imagem mais favorável

Na hora em que a Globo filmar, de cima, a estação do metrô, cheia de gente, vai dar ao espectador a impressão de que está tudo arrumadinho, ordeiramente, cada qual no seu “cercadinho”.

O engenheiro civil Zé Pedágio é mesmo um “economista competente”.

Milhões de trabalhadores pagam todos os dias o preço da incompetência de 15 anos de coronelismo tucano em São Paulo.

Você, amigo navegante, jamais verá um membro de elite branca falar do engarrafamento e do transporte público como uma questão pública, coletiva.

É sempre um problema individual, um infortúnio: “eu me atrasei, porque o trânsito está horrível”; “teve uma batida e eu não pude chegar mais cedo, desculpe”; “puxa, com essa chuva, o trânsito está infernal”.

São efeitos sem causa, que não exigem a ação do Estado.

O metrô de São Paulo é insuficiente com os vagões, as estações, as paradas que tem e os intervalos entre elas.

O que está aí não basta.

Sem falar no que não está – e não andou mais rápido, por causa, por exemplo, da cratera da Linha 4.

Agora, os gênios do engenheiro civil resolveram resolver o problema do metrô.

Não é construir mais estações.

Botar mais trens para rodar.

Nem aumentar a frequência das paradas.

Não, ele é um gênio.

As soluções têm que ser geniais.

Ele resolveu criar um “cercadinho” para os pobres.

É assim.

A pessoa chega à estação.

Pensa que, por se tratar de uma estação do metrô, ela vai se aproximar da plataforma, esperar o trem chegar, pegar o trem e ir trabalhar.

Não, não é assim que funciona.

A pessoa chega de manhã e entra num “cercadinho”.

E fica lá.

No “cercadinho”.

Em lugar de ficar um colado no outro, a se empurrar na beira da plataforma, agora fica todo mundo colado, a se empurrar, mas no “cercadinho”.

Sensacional.

Isso é coisa de gênio.

Qual o objetivo do “engenheiro civil” ?

Não é reduzir o número obsceno de horas que o trabalhador de São Paulo leva para ir e voltar do trabalho.

Não, isso não é problema dele.

Esse pessoal vota na Marta, mesmo.

Azar o dele.

O problema do Zé Pedágio é a fotogenia.

Na hora em que a Globo filmar, de cima, a estação do metrô, cheia de gente, vai dar ao espectador a impressão de que está tudo arrumadinho, ordeiramente, cada qual no seu “cercadinho”.

Ele é um gênio.

Mal sabe ele que o problema do transporte público em São Paulo pode degenerar num “caracazo”.

E o vândalo será ele, o engenheiro civil …

(com os devidos créditos)

Clique aqui para ler "Ninguém consegue entrar no metrô às 18h50, na Estação Sé"
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=19121

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

O mercado pode tudo. Estupra o olhar e o tempo do Homem que nasceu livre para ver.

O metrô paulistano já fica perigoso em dias de jogos com os fanáticos de plantão, 99%homens, existem coisas mais instrutivas do que essa LAVAGEM CEREBRAL que o governo estadual quer fazer na população.

Já existem outros meios para esse tipo de comunicação o Jornal do Metrô, por exemplo
http://www.metronews.com.br/ , mas o estado insiste na lavagem cerebral http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=90397


FUTEBOL, COPA DO MUNDO e ALIENAÇÃO perante os problemas do país.

FUTEBOL+COPA DO MUNDO:
FALSO PATRIOTISMO


Já se trata-se de um sub-esporte, altamente alienante e emburrecedor que gera preconceito e semeia a discórdia.

Parece até piada a chamada do TVMinuto nas televisãozinhas dentro dos trens do metrô "informa e educa" kkkkk educa(?). Educa quem? Só passa futebol e propaganda de clinícas, lanches, universidades mercenárias.

O ESTADO E A PREFEITURA DE SÃO PAULO NÃO TÊM O DIREITO DE USAR MEU DINHEIRO PRA ISSO!
(já bastam os alienados quererem trocar os nomes das Estações por nomes de times de futebol), que falta de respeito aos demais é essa?


Passageiros arguardam para embarcar na plataforma do metrô Paraíso, zona sul de São Paulo, onde a companhia instalou placas de sinalização com dois idiomas, português e inglês, e telas de LCD de 42 polegadas. Trata-se de um projeto para a criação de centros culturais em 15 estações(querem nos fazer pensar isso), das quais quatro terão salas de cinema e outras cinco minimuseus de times de futebol (Palmeiras, Corinthians, Santos, São Paulo e Portuguesa)


Paradas de ônibus, traseiras de ônibus, parte externa de trens, trajeto de escada rolante do metrô, bilhetes de metrô, estações inteiras de metrô são propagandas. O público construído com o esforço de todos/as é invadido. O mercado pode tudo.
Estupra o olhar e o tempo do Homem que nasceu livre para ver.



Relacionados:
O pode político das empresas de ônibus, artigo, Luis Nassif on line
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/04/o-poder-politico-das-empresas-de-onibus/

Cidadão sequestrado

O paulistano bem entende que uma das formas sustentáveis de se deslocar na Sampa querida é coletivamente.

Você entra num ônibus do sistema público de transporte e só pretende chegar ao seu destino com segurança, respeito e rapidez, mas recebe uma propaganda do Mcbacon, uma porção de videoclipes de grandes gravadoras e um bocado de campanhas institucionais que dizem que vc deve pagar seus impostos. Isso tudo num volume exageradamente alto para qualquer um, mesmo para os pobres paulistanos que já têm a audição prejudicada pelo nível de ruído que lhe é imposto pelos automóveis – tanto nas ruas aonde anda, quanto no descansso do lar.

Para quem constuma pegar ônibus em horários menos caóticos e pode encontrar um assento vago, abrir um livro e aproveitar o tempo de viagem; para o grupo de pessoas que saía do trabalho e ia batendo um papo; para quem aproveitava para ver a cidade, as pessoas e pensar na vida pela janela do ônibus, o inferno está posto.
Qualquer atividade é impossível quando envolta pelo som dos jábas musicais, logotipos e frases institucionais de comando. O som te chama, você olha uma, mais uma e logo a tela hipinotizou a todos/as.

Segundo a empresa responsável, algumas das razões para comprar propaganda na tv deles são:

- “Audiência cativa pelo período médio de duas horas por dia”;
tradução: o povo fica preso no trânsito pelo menos duas horas todos os dias, aproveite esse tempo fazer com que desejem seus produtos

- “Elevada segmentação do público-alvo que, majoritariamente, é composto por classes C e D, ativas, que estudam e trabalham”;
tradução: rico não anda de ônibus, se seu produto é para podres trabalhadores/as e estudantes, ou seja, pobres que almejam uma vida mais confortável e que freqüentemente consomem produtos que passam a sensação de maior status social, anuncie nas tvs dos ônibus

- “Foco único de atenção a bordo dos ônibus”;
tradução: com dois televisores ligados e o povo trancado dentro do ônibus, não tem jeito, sua empresa terá atenção

- “Único canal sem risco de zapping”;
tradução: é goela abaixo mesmo, o usuário do sistema público de transporte não tem como escapar da propaganda privada, só descendo do ônibus e fugindo à pé

- “Os usuários de ônibus passam muito tempo fora dos seus lares, conseqüentemente seu consumo de televisão é baixo”.
tradução: o povo demora horas para ir e volta de qualquer lugar, isso encurta o dia. As empresas, por exemplo, não pagam por essas horas que fazem parte do trabalho diário de qq trabalhador/a. São horas que poderiam ser utilizadas para qq coisa, ócio, lazer, produção, mas, graças ao uso desregrado do automóvel, são desperdicidas. Sua empresa precisa ir até o povo, já que ele não está descansando em casa, anuncie em tvs dentro de ônibus parados no trânsito.


A patente da invasão é da empresa portuguesa, a Bustv Brasil, segundo informa o site da empresa, já invadiu 20% da frota de São Paulo em 2007 com 250 instalações só no 1º semestre. A empresa ainda pretende estar em mais 10 cidades este ano.

Portaria n.º 79/07 – Estabelece normas de publicidade interna em ônibus
http://portal.prefeitura.sp.gov.br/noticias/sec/transportes/2007/06/0046

A lei Cidade Limpa, deixou a cidade livre de publicidade, com algumas exceções, claro.

Quem detém os espaços onde é possível fazer propaganda dentro da lei em São Paulo? Na prática, prefeitura paulista, governo paulistano e empresas por estes controladas.

Com a lei Cidade Limpa a exclusividade dos espaços publicitários está, basicamente, nas mãos do proponente da lei.

Quem pretende pegar um trem de metrô, logo perceberá que nos túneis subterrâneos a lei da Cidade Publicitária é a única vigente. Bilhetes, catracas, colunas de concreto, escadas rolantes, laterais dos vagões, televisores dentro dos trens estão tomados de imagens de cremes, chocolates, universidades mercenárias e financiamento de motocicletas.

Quem utiliza um metrô e um ônibus, além de deixar R$3,60 para o sistema, entende que dentro destes espaços públicos de transporte em massa, o território é outro. Eles não pertencem a São Paulo. Nestes territórios a publicidade feroz é permitida.

Nos ônibus, os televisores têm sido a alternativa mais usada para encher a paciência visual dos usuários. A empresa Tv Out se soma a outras, como BusTv (Bustv Brasil foi a primeira a se beneficiar do trânsito e da Lei Cidade Limpa), TVO(esta da produtora Mixer), e tem permissão para entreter os usuários com piadas, previsões do horóscopo e notícias enquanto tenta vender Mclanches, motos e fogões. A empresa já instalou seus televisores em mais de 1.500 ônibus.

Poderíamos pensar “foi uma boa deter a exclusividade da publicidade de rua da cidade; afinal, é grana entrando que será investida em melhorias do transporte público”. Não, não existe um único usuário diário do sistema de transporte de São Paulo que possa dizer que algo melhorou no metrô ou nos ônibus publicitários.

Na teoria do livre mercado, o governo estadual concede a algumas empresas privadas o direito de explorar os lucros de serviços básicos. As empresas lucrariam algum, o governo estadual fiscalizaria o trabalho e receberia o troco, que seria reinvestido no sistema.

Na prática do livre mercado, a escolha das empresas que terão permissão para lucrar nas ruas é viciada. O governo estadual de São Paulo é parceiro de uma máfia. Fica com o prejuízo, tampa o buraco financeiro das empresas com o dinheiro público, deixa que a eficiência do lucro tome conta e larga o usuário, mesmo pagando tarifas caras, na mão. O governo, que achava que era parceiro, logo percebe-se refém e que, mesmo que quisesse, precisaria de uma operação policial para se livrar da máfia. Para manter o esquema, as relações obscuras entre público e privado vão se fortalecendo. Sempre em prejuízo do público.

Que ótimo, agora poderei assistir as tradicionais pegadinhas (na TVO, importadas) durante minha viagem até o trabalho.

Obs. O usuário que pegar um ônibus com o canal TVO paga R$2,30 e aluga para as empresas anunciantes apenas seu par de olhos, já que a TVO não tem som. Uma Grande vantagem em relação à Bustv, que aluga dos olhos e ouvidos pelo mesmo preço.

Quinta-feira, Setembro 17, 2009

Tele-imbecilização compulsória dentro dos ônibus de São Paulo. E a gente ainda paga por isso.





arte: cc tele-tubbies
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A notícia publicada na internet em agosto era assustadora: “Ônibus de SP começam a transmitir programação da TV Globo”. Parecia piada de Primeiro de Abril, mas não era.

Na primeira fase do projeto, as televisões instaladas dentro de alguns ônibus da capital exibiriam trechos das novelas e de alguns programas jornalísticos no estilo programa de fofocas – apenas os “melhores momentos” com legendas em letras garrafais. Em seguida, a idéia era explorar o potencial trazido pela TV digital e transmitir ao vivo a programação para dentro dos ônibus.

Vale lembrar que o modelo da TV digital brasileira, aprovado pelo ex-funcionário da Globo e ministro das Comunicações Hélio Costa, atendeu a quase todas as exigências feitas pelas emissoras de televisão.

Um dia depois do anúncio, a Prefeitura resolveu suspender o projeto http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u611230.shtml baseada em uma frágil portaria que prevê que o conteúdo das televisões dentro de ônibus deve ser enviado com uma semana de antecedência para a avaliação da SPTrans, o que inviabilizaria a exibição de programação ao vivo ou mesmo do resumo das novelas.

“Frágil” pois a história de adaptações da lei em benefício da emissora não é exceção. A Globo nasceu de uma ilegalidade: em 1962, o grupo de Roberto Marinho assinou um contrato ilegal com o grupo estrangeiro Time-Life (a participação de grupos estrangeiros em empresas de comunicação brasileiras era ilegal na época), conseguindo capital suficiente para montar o seu canal de televisão. Ficou por isso mesmo. Em 1970, a única emissora que poderia concorrer com a Globo em escala nacional (a Excelsior) teve sua concessão cassada pela ditadura militar. Nascia aí o maior monopólio comunicacional do país.

Para quem já contrariou a Constituição Federal, não será difícil superar uma portaria municipal.

O projeto de exibir conteúdo de uma emissora de televisão dentro de um espaço que, em última instância, pode ser chamado de “público” (o ônibus) é uma afronta ao bom senso e uma cusparada na cara de quem usa o (ainda) péssimo transporte público sobre pneus. Transformar um direito (o transporte) em veículo de colonização mental e tele-imbecilização compulsória é repugnante. Mais assustador ainda se considerarmos que o direito ao transporte é vendido ao cidadão.



arte: cc tele-tubbies
[versão alternativa]

A inciativa da Globo não é única, ela apenas se antecipou à concorrência. Outras emissoras, como Record e Bandeirantes, também tem planos para utilizar os ônibus como veículo de tele-idiotização em massa. Sendo o transporte coletivo sobre pneus em São Paulo um grande negócio, e não um direito da população, é difícil imaginar que as iniciativas não irão vingar.

Uma televisão compulsória deve ser o sonho de todo canal de televisão na era da fragmentação digital. E certamente é mais um passo para a materialização de sonhos totalitários recorrentes na história humana.